Agenda

CineFloyd Tudo começa ao terceiro rugido do leão. As luzes se apagam e começa a sobrevoar pela tela iluminada do cinema as tranquilas nuvens do céu do Kansas. As batidas do coração e o som do relógio anunciam a primeira música da trilha sonora e dão boas-vindas a Dorothy, a pequena heroína do reino de Oz. A famosa sincronização do filme The Wizard of Oz (Victor Fleming, 1939) e do disco The Dark Side of the Moon (Pink Floyd, 1973) acontece ao vivo. São 34 anos que separam filme e disco, mas milhares de histórias que os aproximam novamente. Coincidência ou não, as mudanças musicais acompanham a narrativa e adicionam drama especial à experiência de viajar, junto com Dorothy, da fazenda de sua tia à primeira cidade colorida da história do cinema. Desde muito cedo, esses quatro amigos aprenderam o que era a música escutando atentamente David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason. Cada nota, cada silêncio, verso, estudado à exaustão. Eles fizeram parte de uma geração de instrumentistas filha de fãs da banda britânica, que cresceu ouvindo Pink Floyd. É por isso que o projeto de Arthur Tabbal, Gabriel Sacks, Ettore Sanfelice e Jackson Spindler apresenta com verdadeira paixão e fidelidade a íntegra de Dark Side of the Moon, com atenção e precisão nos mínimos detalhes. Quando abre a porta da casa que foi levada por um tornado, Dorothy encontra pela primeira vez o reino de Oz e, junto com ele, o Lado B do disco do Pink Floyd. A sincronicidade inesperada da trilha sonora adiciona um elemento crítico à fantasiosa história escrita por Frank Baum. Se o escritor conquistou sucesso instantâneo com a novela e suas inúmeras variações no início do século XX, o álbum dos anos 1970 consegue acrescentar ainda mais digressões na frutífera trama nada infantil. O projeto iniciou em casas noturnas de Porto Alegre no ano de 2014 até receber um convite especial para promover a experiência completa da sincronização. Com Arthur Tabbal na guitarra e voz, Gabriel Sacks na bateria e voz, Ettore Sanfelice no baixo e Max Sudbrack nos teclados, o quarteto estreou nas salas de cinema em 2015, lotando a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro em duas sessões. A dose se repetiu no mesmo ano, dentro da programação oficial do aniversário da cidade de Porto Alegre, dessa vez ao ar livre, no antigo casarão da Travessa Paraíso. De lá para cá, já foram mais de 15 apresentações em casas de shows, teatros e cinemas de Porto Alegre, Novo Hamburgo, Lajeado, Caxias do Sul e Criciúma. Em especial, vale destacar a passagem do CineFloyd pela Cinemateca Capitólio, pela Casa de Cultura Mario Quintana e pelo Teatro Univates em Lajeado. Para terminar em grande estilo a sublime experiência de assistir a obra-prima de 1939 ao som do mais famoso álbum do Pink Floyd, o quarteto finaliza a apresentação com uma sincronia especial. É a vez de um trecho de 2001: A Space Odyssey (Stanley Kubrick, 1968) ao som de Echoes, música de 23 minutos do Meddle (1971) – considerada outra peça-chave do repertório floydiano. Ao final dessa jornada, encontrando ou não o mágico que vai nos presentear com inteligência, amor ou coragem, a trilha sonora de Pink Floyd, ainda mais ao vivo, cria as condições perfeitas para uma majestosa e garantida experiência até o outro lado do arco- íris. Boa viagem. Happyrockhour Insano das 18h às 21h com rodada dupla de Chopp Pilsen da Prost. Ingressos R$ 15